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no souvenir

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Outono

É sempre a mesma coisa. Mudam as estações, muda o guarda-roupa e temos a tarefa chata de arrumar as vestimentas. Hoje comecei a guardar religiosamente os meus vestidos de verão, como se ali em cada vinco e dobra pudesse guardar um bocadinho também dos dias longos e claros, de pernas e braços ao léu. Lá fora, começava a chover. Daqui a uns dias muda a hora e eu faço anos. Agora sim, bem-vindo senhor Outono, adeus menino Verão.

O Algarve que me encanta

Lembro-me bem da primeira vez que fui ao Algarve. Ao contrário de muitas pessoas, a região mais a sul de Portugal não faz parte das minhas memórias de férias infantis e em família. Por ter vivido a minha infância no Brasil, só conheci o Algarve quando comecei a passar férias com amigos. Uma ótima altura para explorar esta costa dourada e ensolarada.

 

Desde então, daquela primeira vez em que ficamos a acampar na Costa Vicentina e, depois, em Ferragudo, tenho voltado ao Algarve com regularidade. Não é um destino anual, mas também não consigo ficar muito tempo longe daquelas falésias e arribas que recortam o mar de uma maneira tão bela e singular.

 

Foi mesmo esta singularidade que me conquistou. Caminhar pelas falésias e avistar Sagres, descobrir praias só acessíveis de barco, apreciar estes castelos naturais, esculpidos pela água e pelo vento. Tanto mar, tanto azul. O Algarve é, acima de tudo, isso. Depois, claro, há o turismo de massas, as cidades maltratadas, a construção desordenada, as estradas esburacadas e a confusão das praias mais concorridas.

 

Mas, antes disso, há as cidades e as vilas charmosas, o peixe fresco grelhado, a simpatia e o sotaque delicioso dos algarvios. Há o descanso nas praias com pouca gente (sim, elas existem), há o mergulhar no mar para descobrir os seus segredos. As verdadeiras noites de verão e o sol tão quente logo ao acordar. Há um mar de cores cristalinas que me conquista a cada olhar.

 

Este ano não foi diferente, durante uma semana, ainda em julho, dediquei-me a arte de ir para a praia sem preocupações, apanhar banhos de sol, ler, nadar, comer e dormir. Ações que dão o verdadeiro sentido à palavra férias. Apanhei dias perfeitos de verão, com calor e um mar que era uma piscina em tons de verde e azul. A água não estava geladíssima, mas também não se pode dizer que estava quente. Refrescante e boa, para quem, como eu, não tem "medo", e até aprecia bastante, um mergulho em águas mais frias. Este é o Algarve que me encanta e, por isso, deixo aqui um registo fotográfico de um roteiro possível pelas praias por onde andei este ano.

 

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 Praia do Carvalho (Lagoa)

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 Praia da Marinha (Lagoa)

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 Praia do Molhe (Ferragudo, Lagoa)

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 Senhora da Rocha e Praia Nova (Lagoa)

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 Praia de Caneiros (Ferragudo, Lagoa)

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 Praia Nova (Lagoa)

Agosto, o melhor mês para... trabalhar

Há alguns anos que não tiro férias em agosto. A decisão não fez parte de nenhuma posição fundamentalista ou anti-social, muito pelo contrário, gosto de trabalhar no mês em que (quase) toda a gente vai de férias. Gosto de ver a cidade cheia de turistas e de aproveitar os fins de semana como se eles fossem, por si só, umas mini-férias.

 

Até pode parecer estranho que uma pessoa assumidamente do verão e da praia não queira aproveitar o tão querido mês de agosto para ir a banhos e dedicar-se ao dolce far niente. Mas, a verdade é que, fruto das agendas familiares, risquei agosto do meu mapa de férias e não me arrependo.

 

Começando pelo bom tempo. Nem sempre temos o melhor mar em agosto, mas isso também é uma questão de sorte – já apanhei marés vivas no Mediterrâneo e vi aquele mar-piscina transforma-se num festival de ondas. Cá pelo Norte, o vento tem vontade própria e sopra frio quando ele bem entende. Por isso, os dias espetaculares de praia podem acontecer em qualquer altura do verão (e, às vezes, da primavera). A água é gelada, salvo alguns dias em que está fria, mas também o é no Algarve, quando não temos sorte (já está visto que o verão combina com a sorte) de apanhar umas correntes mais quentes. Posto isto, agosto não é o mês, por excelência, do bom tempo.

 

Trabalhar em agosto é descobrir o verdadeiro prazer de conduzir na cidade, neste caso, no Porto. Pode parecer descabido, principalmente para quem não gosta de conduzir ou não tem paciência para o para e arranca. Mas, em agosto, é raro haver trânsito e as horas de ponta são suaves. Vou e volto do trabalho sem ter a preocupação do trânsito, aproveitando para curtir a paisagem, vidros abertos, cabelos ao vento, atravessando as “minhas” pontes preferidas e vendo a cidade a viver os seus dias de glória.

 

Se muitos fogem da cidade este mês, outros tantos chegam para a conhecer. Os turistas pintam o Porto o ano todo, é certo, mas em agosto trazem outro colorido, com mais azáfama nas esplanadas e nas ruas da baixa. Câmaras fotográficas ao ar, pernas ao léu e sandálias nos pés. Misturam-se com os locais nos cafés e restaurantes da moda ou são capazes de estar horas na fila para entrar na livraria Lello. Vida de turista...

 

Para quem fica a trabalhar, espera-se pelos dias de fim de semana e de folgas religiosamente – mas isso acontece o ano inteiro, não é? Em agosto, a vantagem é que os dias de folga são, inevitavelmente, dias de praia, a não ser quando chove. É quase como se entrássemos de férias a cada sexta-feira. E que bem que sabe poder gastar o tempo livre com mergulhos no mar e Bolas de Berlim. As segundas começam sempre melhor em agosto.

 

É por isso que, mesmo a trabalhar, este é um mês querido e esperado. E quando dou por mim, com os pés afundados na areia da praia, vejo agosto a ir embora, como uma onda que se desenrola entre os meus dedos.

And so with the sunshine and the great bursts of leaves growing on the trees, just as things grow in fast movies, I had that familiar conviction that life was beginning over again with the summer

F. Scott Fitzgerald, The Great Gatsby

 

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