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no souvenir

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O verão que não foi

Acabou o verão e ainda tenho fome de mar, desejo de sol e sede de mergulhos. É a primeira vez, que me lembro, de não receber bem o outono, e as suas promessas de folhas douradas, castanhas assadas, tartes de maçã cheirosas e dias cinzentos. Acontece que este verão não foi. Nunca chegou a chegar. Passámos três meses à espera dele. Em julho é que vai ser, em agosto é que vai ser, em setembro é que vai ser. E nunca foi. Não tivemos uma semana de calor, de facto. Daquele calor abafado, sem vento, daquele calor de que nos queixamos sempre, mas pelo qual esperamos o ano todo. Não tivemos aqueles dias de praia perfeitos, sem aquela nortada desagradável. Dias que se misturam com a noite e parecem que não têm fim, até ao último mergulho.

Ainda assim, fiz as pazes com o verão. Ontem, qual momento especial, esteve uma tarde de praia perfeita. E eu não deixei passar. O mar estava revolto e impróprio para inseguros ou inexperientes. Mas eu também gosto dele assim, gosto de ser desafiada, de esperar o momento ideal para atirar-me de cabeça numa onda e sentir a sua energia no meu corpo. E naqueles momentos de espera, só com mar e céu no olhar, despedi-me do verão e pedi que voltasse melhor para o próximo ano. Eu ficarei esperando, como sempre.

 

 

 

Regresso

Regressei ao meu blogue neste 11 de setembro, data difícil mas à qual vamos regressar sempre. Regressei mais uma vez à escrita descomplexada e sem grandes rodeios, numa nova tentativa de fazer disso rotina, embora seja difícil. Mas regressar pode ser mesmo isso, voltar a tentar, recomeçar, ganhar um novo fôlego, emergir.

 

Regressei na mesma altura em que milhares de crianças, nos quatro cantos do mundo, regressam também à escola. Regresso, por isso, às minhas memórias. Da ansiedade na véspera do primeiro dia de aulas. Do material escolar novo, do cheiro dos lápis, dos cadernos e dos livros. Dos amigos, brincadeiras, mas também das aulas e dos professores. Experiências tão importantes na vida de um ser humano mas vetadas ainda a muitas crianças. Meninos e meninas que fazem quilómetros para chegar à escola, a pé, no meio de conflitos, cidades devastadas. Outras e outros atravessam rios ou fazem quilómetros por estradas inacabadas.

 

Uma realidade que passa ao lado na nossa parte do mundo, mas que é sempre bom regressar e lembrar. Nem que seja através da fotografia.

 

Indonésia/Imagem: Reuters