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no souvenir

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Quem tem medo de Julian Assange?

Julian Assange voltou à ribalta esta semana com a decisão do Equador de conceder asilo diplomático ao fundador do site de partilha de documentos secretos, o WikiLeaks.

 

A trama por si só já dava para um qualquer policial sueco, país para onde Assange pode ser extraditado, desde que ponha o pé fora da embaixada equatoriana em Londres. A juntar, a figura misteriosa do próprio, cabelos excessivamente brancos, olhos semicerrados, esgar sarcástico. E, para fechar, a posição vergonhosa da Inglaterra, que se afirma, mais uma vez, como vassalo dos Estados Unidos.  

 

O jornalista australiano parece estar cada vez mais isolado naquilo que diz ser a sua luta para libertar a imprensa e denunciar os piores segredos que certos países tentam esconder.

 

Os Estados Unidos tem sido o principal visado dos ataques do site de Assange e, nem de propósito, o ciberativista foi acusado de crimes sexuais na Suécia poucos dias depois do WikiLeaks ter divulgado documentos secretos dos EUA sobre a guerra do Afeganistão – entre milhares de outros documentos que comprometem o país.

 

Já há muito sabemos que a promessa de liberdade de informação e comunicação na Internet é mesmo isso: uma promessa, uma utopia. A web, tal como tudo no nosso mundo, está cada vez mais controlada por interesses políticos e económicos. Julian Assange, que passou de “homem do ano” à “prisioneiro político”, é um exemplo disso.

 

Não se sabe qual vai ser o destino de Assange – muito ainda se vai escrever sobre esta trama. Mas parece que o australiano está longe de ter uma vida sossegada, se calhar nunca pretendeu ter. Não se sabe também qual vai ser o destino do WikiLeaks. Mas sites como este mostram o poder a Internet, que quanto mais tenta ser controlada por uns, mais se afirma como um motor de revoluções para outros.

 

P.S. Faz sentido escrever sobre liberdade de expressão e imprensa, no dia em que foi conhecida a sentença das Pussy Riot, na Rússia.

A nossa silly season

Os dias são longos, arrastam-se ao sabor do vento. Porque aqui temos sempre vento. Dias de muito calor são exceção, anda-se bem pelas ruas e à beira-mar. O clima ameno convida a almoços na esplanada e copos de vinho à noite.

Os dias demoram mais a passar porque realmente não passa muita coisa por eles. Não há trânsito, as pontes estão vazias e os parques de estacionamento também. O sol está mais quente e entra pelas janelas logo pela manhã. Os políticos estão de férias e até a notícia de um rei que tropeçou num degrau tem direito a destaque.

Os dias sabem-me bem assim. As gaivotas estendem mais os seus gritos que de longe parecem risos e os gatos estendem-se mais nas varandas para aliviar o calor. A cidade ganha outra cor, com este céu tão azul e sinto-me feliz só por perceber este momento. Às vezes é preciso parar para ver o que nos rodeia com olhos de verão.