Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

no souvenir

no souvenir

O meu 25 de abril

Quando cheguei a Portugal, fixei logo uma data: 25 de abril. O ano apareceu depois quando estudei a Revolução dos Cravos na escola. Até então, a imagem que tinha da ditadura portuguesa era difusa. Era a minha avó a dizer-me para não baloiçar na cadeira porque senão poderia cair e ficar como Salazar. Eram as estórias que a minha avó contava das suas origens portuguesas. Não era muito mais do que isso, e já não era mau para os meus tenros e brasileiros 13 anos.

 

Estudar o 25 de abril na escola, e depois na faculdade – ele está sempre presente e até hoje em dia, sendo jornalista, estou sempre a aprender mais sobre o acontecimento – foi decorar nomes, datas, cores políticas e países. Mas foi também compreender que uma ditadura é sempre má.

 

Não recebi memórias familiares da data. Os meus avós e os meus pais não me contaram depois do jantar as suas memórias daquele dia especial em 1974, como depois reparei que acontece sempre com quem o viveu e com quem escuta as memórias.

 

Do 25 de abril guardarei sempre a imagem de uma revolução bonita, com pessoas na rua e cravos e música e fotografias a preto e branco, um cenário bem mais simples do que aquele que todos os anos vemos a ser recuperado pelos media e por historiadores. Mas é o meu 25 de abril e todos deveriam ter um.  

 

 

Pequena reflexão sobre os livros

Não sei se o gosto pela leitura é algo que se ganha ou já se nasce com ele. É verdade que ao longo da nossa vida aprendemos a gostar de ler, mas há também quem aprenda a não gostar ou, simplesmente, a não ter interesse por abrir um livro.

 

Sempre gostei de livros. E com o passar do tempo fui gostando cada vez mais de ler. Da magia de um poema de Cecília Meireles aos mistérios de um mundo encantado de borboletas, até chegar aos clássicos e aos contemporâneos, os livros sempre me acompanharam. Poema, prosa ou crónica. Já li de tudo e em, certas fases da minha vida, fui preferindo um ou outro.

 

E o mais fantástico é que por muito que possa ser lido nunca vamos conseguir ler todos os livros do mundo, ou quase como dizia Sócrates (o filósofo), o sábio é aquele que sabe que não o é. Não tenho pressa em ler muitos livros, mas quando uma estória me conquista sou capaz de devorá-la em poucos dias.

 

Já li livros fáceis mas bons, livros fáceis mas maus. Já me apaixonei por frases ou passagens inteiras. Já me identifiquei com muitas personagens, odiei outras tantas. Já li livros difíceis em que foi preciso insistir para conseguir desembaraçar o novelo e seguir o fio. Mas insisti e valeu a pena.

 

Insisti porque, fáceis ou difíceis, aprendemos sempre com os livros.