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no souvenir

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Sonho de Primavera

É uma casa simples. Térrea com pátio à frente e jardim atrás. Se tiver mais um andar, que seja um sótão. É uma casa com grandes janelas abertas para o sol de Inverno e de Verão. Tem um sofá aconchegante e uma lareira. Duas ou três estantes cheias de livros. Uma cozinha que cheira a café, bolo a sair do forno e ervas aromáticas. Há corredores com fotografias pregadas em cortiça e álbuns de família guardados em caixas de cartão. A casa tem paredes brancas e canteiros com flores. No jardim, que não é muito grande, há uma árvore que desperta do sono invernoso com pétalas de seda fúcsia, prenúncio de Primavera. Da janela ou com os pés descalços na relva fria, vejo os primeiros botões a rebentar dos galhos nus. Vejo-os a abrir lentamente. A árvore é agora um poleiro de borboletas cor-de-rosa em forma de flores. Um esplendor que dura pouco. Dos galhos para chão, as flores dão lugar ao verde infantil, de quem nasce de novo a cada estação. E todos os anos, ver este espectáculo é algo que me preenche e alegra.

Poderia até ser outra casa, com outras portas ou quartos. Poderia até não ter sótão, nem lareira. Mas, no jardim do meu sonho, ela está sempre lá. No jardim, há sempre uma magnólia.

 

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