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no souvenir

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Maurice e Patapon

Um cão e um gato, Maurice e Patapon, um bissexual anarquista e outro assexual fascista, ficaram órfãos depois do ataque bárbaro à redação do Charlie Hebdo, em Paris. Charb, o diretor do jornal, era o “dono” dos bichanos que há bem pouco tempo tinham voltado aos desenhos animados. Agora, ninguém pode dar continuidade às suas peripécias, porque ninguém terá aquele mesmo traço, perdido entre tiros.

 

Descobri as histórias de Maurice e Patapon ao navegar pela página do Charlie Hebdo no Facebook. Vi muitos cartoons, primeiras páginas que não pouparam Nicolas Sarkozy, François Hollande, Jesus Cristo, Kim Jong-un, Angela Merkel, judeus, palestinos e também Maomé e os extremistas islâmicos. Nada escapava ao radar satírico da equipa do Charlie. E existem tantas formas de tratar temas tão sérios: dos imigrantes ilegais ao ébola. Mais do que fazer rir, a sátira também faz pensar.

 

Como um raio que destrói uma árvore, o dia 7, o primeiro dia 7 de um novo ano, caiu como uma bomba na Europa. Há tantas formas de pegar no lápis, numa caneta; há tantas formas de desenhar, escrever, contar uma história. Mas para os extremistas que cometeram e ordenaram o atentado ao Charlie Hebdo só existe uma forma de luta: matar. Para estes que não merecem o nosso entendimento, só existe uma verdade e quem é contra ela não merece viver.

 

Que nunca nos esqueçamos dos cartoons publicados antes de 7 de janeiro de 2015. Que o riso seja sempre um meio para castigar os costumes, vícios e fissuras da sociedade. Que o Charlie Hebdo nunca seja reduzido ao jornal satírico francês que publicou cartoons de Maomé. Foi, e espero que continue a ser, muito mais do que isso – a partir de agora, com novos traços, novas vozes, como uma árvore que renasce mais forte depois de ter sido atingida por um raio.

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