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no souvenir

no souvenir

Mar

No verão confuso ali estavas
Entre toalhas, guarda-sóis e chinelos
Continuavas o teu ciclo a mercê
dos gritos, risos e choros infantis 
Nunca foste domado e neste verão não foi diferente
Não deste o teu melhor a quem tanto te desejou
durante tanto tempo
Viste mesmo assim as enchentes das férias 
e admiraste a força de vontade daqueles que esperavam
que a luz do sol revelasse as tuas cores mais bonitas
Em troca viram-te envolto em nevoeiro
Que teimava em roubar-nos o verão 
Mas não tiveste culpa
És generoso e deste o melhor que tinhas
 
Agora foram-se embora os banhistas 
Os veraneantes voltaram para rotina dos dias sem férias 
Agora voltas a ser imenso e só 
E quem te procura não vem pelo bom tempo
Vem só para te ver, mar
Vem para ouvir a tua voz 
Ondas a desenrolar sem fim
Vem para te contar segredos
Pensamentos silenciosos
Carregados no olhar
Vem pela vista enorme, dispersa
Pela imensidão aconchegante
 
Por entre os teus trilhos
caminho sozinha
Olhando para a praia 
Que agora é só minha 
 

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