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no souvenir

no souvenir

Foi bonita a festa

Numa Europa desnorteada, que sofre uma crise de valores e onde faltam líderes políticos inspiradores, Paris voltou a trazer o sonho europeu às ruas este domingo. Os trágicos acontecimentos da semana anterior serviram de mote para uma verdadeira “fête de la liberté”.

 

O povo foi Charlie e mostrou, sem medo, o que une a Europa, valendo os direitos e os deveres que fazem deste continente, pelo menos de grande parte dos seus países, um caso único no nosso planeta. É uma ode à democracia e à liberdade quando milhares de pessoas usam as ruas para expressarem as suas opiniões. E não podia haver resposta mais forte aos fundamentalistas islâmicos, e a outras ditaduras por este mundo fora, do que aquela que os franceses deram nas ruas.

 

Foram 17 vidas interrompidas, 17 seres humanos únicos que deixaram de existir. Mas a melhor homenagem possível foi prestada e as suas mortes não foram em vão. Foi uma utopia em forma de manifestação. Líderes políticos unidos por uma mesma causa. Diferentes religiões, raças e gerações erguendo a mesma bandeira.

 

Neste domingo, Paris mostrou o que todos desejamos para o mundo: paz, união, tolerância, compaixão e liberdade. Sabemos que a magia do momento já se quebrou. Os nossos problemas e diferenças são mais complexos do que os nossos sonhos e desejos. Mas espero que este dia não seja esquecido e que venha a fazer parte de uma mudança que, mais cedo ou mais tarde, acabará por acontecer.

 

A história escreve-se, mais uma vez, nas ruas.

 

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Fotografia: Libération