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no souvenir

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E se esta gente toda tivesse ido às urnas?

Sei que já passaram alguns dias, o que no imediatismo virtual no qual vivemos é muito tempo, mas não consigo deixar de pensar nos números da abstenção nestas eleições. Eu, otimista quase inabalável, julgava que, fruto da dureza dos últimos quatro anos, os portugueses iriam alterar esta triste tendência de não exercerem o direito e o dever de votar. Quando, no domingo, fui votar e vi filas, tive um sentimento de esperança, talvez reflexo da minha vontade de que algo mudasse. Horas depois, este reflexo transformou-se em sombra, quando os números oficiais comprovaram não só a manutenção da tendência, como também o seu crescimento em relação às eleições anteriores: 43,07% dos portugueses inscritos não foram votar.

 

É um recorde de abstenção nas eleições legislativas e merecia mais destaque, análise e debate. Enquanto na arena política os partidos começam a lutar por uma solução de governo para os próximos anos, esta quase maioria silenciosa vai continuar a viver os seus dias como se nada fosse, sem pensar que o seu voto poderia ter traçado outro cenário político no país, sem pensar naquilo que o voto representa, em todos aqueles argumentos que são usados para justificar o valor do ato – porque muitos lutaram e deram a vida por ele, porque é uma forma de legitimar o nosso regime democrático e porque faz parte da vida em sociedade. Todos sabemos a lição, então porque é que tantos continuam a dar faltas quando são chamados a decidir?

 

Quando quase metade de um país não vota, algo de errado está a acontecer. As respostas são muitas, desde a falta de verdadeiros líderes, passando por uma sociedade apática e desinformada, aos muitos que deixaram de acreditar e aos que emigraram, até chegar à crise e ao desgaste político – com os seus inúmeros casos de corrupção e falcatruas – que nos últimos tempos minaram a confiança que o povo tem nesta classe.

 

Mas não posso deixar de pensar no “se”. E se esta gente toda tivesse ido às urnas?

 

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