Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

no souvenir

no souvenir

O lado bom de 2012

Foi um ano mau, deu tudo errado, ficamos mais pobres, ficamos mais tristes. Pois é. Tenho ouvido e lido estas palavras nos balanços de 2012. É verdade que o ano trouxe com ele isso tudo. Foi o ano em que comecei a ouvir cada vez mais casos de pessoas que ficaram sem emprego, fábricas que faliram, conhecidos que emigraram, famílias que tiveram de esticar o orçamento com uma ginástica que só quem ganha pouco sabe fazer.

 

Enfim, não foi um ano fácil, principalmente para o “país real” que paga as contas do “país das maravilhas” que vive acima das nossas possibilidades. Foi um ano para desacreditar completamente na atual classe política mas foi também um ano para ganhar consciência cívica, com ou sem partido, foi um ano para sair à rua. Como no dia 15 de setembro, onde estive com milhares na Avenida dos Aliados, no Porto.

 

Como jornalista, tento sempre ver todos os prismas de um acontecimento e dentro de todos os lados deste ano “maldito” encontro vontade de seguir em frente e ter a consciência que nem tudo são más notícias e que também é nossa responsabilidade dar ao público motivos para sorrir.  

 

2012 foi o ano para redescobrir Guimarães - Capital Europeia da Cultura que, polémicas à parte, conseguiu deixar na cidade um legado consistente. Não só pelo belo trabalho de reabilitação e transformação urbana, com o seu auge nas antigas fábricas recuperadas, mas também pelo envolvimento da comunidade e pela atitude dos próprios vimaranenses, que acolheram este projeto. Foi o ano que pude conhecer de perto a Fundação Orquestra Estúdio e o Centro para os Assuntos das Artes e da Arquitetura.

 

Estórias de idosos que vivem em “ilhas” esquecidas no Porto também fizeram parte do meu ano. Logo no início de 2012, em dias frios e ensolarados de janeiro, fui à casa do senhor José e da senhora Maria conhecer o projeto de voluntariado “Chave de Afectos” da Santa Casa da Misericórdia do Porto, que dá assistência a idosos completamente sozinhos.

 

Ao mesmo tempo que o Portugal solidário e voluntário ajudou muitos nesta altura de crise, o Portugal empreendedor mostrou-se cada vez mais forte. 2012 foi o ano da proliferação dos concursos de ideia? Provavelmente sim. Nunca ouvimos falar tanto de empreendedorismo que o conceito já começa a provocar alergia a alguns. Mas o empreendedorismo é muito mais que uma palavra grande, são pessoas que lutam pelas suas (boas) ideias, mesmo que pelo meio tenham que desistir ou repensá-las. Foi neste ano que pude conhecer de perto empreendedores que dão sentido à palavra, como os miúdos da Startup Pirates.

 

Apesar de tantos cortes, a cultura continuou a mostrar-se em bons projetos como no movimento Manobras no Porto, onde, entre outras coisas, pude comprovar que existe um fado com sotaque do Porto e conhecer pessoas para quem o fado é uma forma de vida.

 

2012 foi um ano para fotografar e querer fotografar sempre mais. Foi um ano para redescobrir o prazer da fotografia analógica, depois de fazer uma reportagem sobre o tema.

 

2012 também ficou marcado por avanços incríveis na medicina e na ciência. Entre tantos outros exemplos, pude conhecer a investigação de Goreti Sales que foi distinguida com uma bolsa de um milhão de euros pela União Europeia para desenvolver um dispositivo de rastreio precoce do cancro.

 

Já no fim do ano, embarquei numa aventura a quatro rodas e acompanhei a primeira equipa de Roller Derby em Portugal. Miúdas com garra e apaixonadas por uma modalidade importada dos EUA que começa a ter mais adeptos aqui.

 

Um outro balanço de ano poderia incluir tantos e mais importantes acontecimentos nacionais e internacionais. Mas este que aqui deixo é subjetivo e reflete também um pouco do meu trabalho ao longo de 2012.

 

Mas acima de tudo, é um balanço positivo, de boas estórias, de pessoas brilhantes, apaixonadas, criativas, obstinadas a fazer melhor todos os dias nas suas diferentes áreas de atuação. É difícil, dá trabalho, dá preguiça. Ser negativo é mais fácil do que ser positivo. Fechar a cara é mais fácil do que sorrir em meio de tanto pessimismo. Ficar sentado a reclamar é mais fácil do que levantar e agir. É por isso que esta deve ser uma das promessas para 2013. Fazer, acontecer, agir, ter boas ideias, ajudar mais as pessoas e sorrir mais. Da minha parte, prometo que vou continuar a procurar boas estórias porque já estamos todos fartos de más notícias.