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no souvenir

no souvenir

Ao contrário

A bandeira nacional hasteada ao contrário tornou-se o símbolo do último feriado 5 de outubro que vamos ter pelo menos enquanto a coligação PSD-CDS continuar no governo, o que pelo andar da carruagem pode ser por menos tempo do que o esperado. Das comemorações da data, tão importante para um país que ainda guarda bem frescas as memórias da ditadura, não vale a pena falar muito. Até porque não passaram de um assinalar oficial por políticos cada vez mais acossados pelo povo, mais distantes e rodeados de seguranças.

 

A bandeira ao contrário foi o culminar de uma semana em que muitos portugueses sentiram que vão ter de virar as suas vidas de pernas para o ar se quiserem sobreviver ao enorme aumento de impostos anunciado por Gaspar. Foi um sinal de desrespeito na semana em que António Borges chamou os empresários de ignorantes - mais uma demonstração da falta de coordenação e comunicação dentro deste executivo cada vez mais patético.

 

A bandeira hasteada ao contrário pode até não ter passado de um descuido, um "desagradável incidente", como classificou António Costa. Mas depois de uma semana como esta, recheada de más notícias, depois de termos sido banidos de celebrar o que supostamente é de todos, depois de já não acreditarmos mais em quase nada nem ninguém, não queríamos isso. Era escusado, já nos basta ter de levar todos os dias com um país cada vez mais ao contrário.

 

 

Fotografia: Miguel A. Lopes/Agência Lusa