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no souvenir

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O país sonâmbulo e o ministro chico-esperto

Depois do caso Público, mais uma polémica veio esta semana abalar a imagem já desgastada de Miguel Relvas. O ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares fez uma licenciatura em um ano graças às equivalências de outros dois cursos que não chegou a concluir e ao seu currículo profissional.

 

Não me preocupa muito como Relvas concluiu ou não a sua licenciatura, pois é mais do que óbvio de que foi fruto de facilitismo por parte da instituição em causa e interferências partidárias. Preocupa-me esperar. Quantos mais escândalos vão ser precisos para Miguel Relvas sair do Governo?

 

Não defendo que todos os nossos governantes devam ser “doutores”, muito pelo contrário, um diploma não define uma pessoa. Mas a forma pouco clara com que alguns governantes – Sócrates deu o exemplo, Relvas reafirma-o – fizeram os seus cursos superiores é intrigante e exige respostas concretas.

 

Não obtivemos respostas claras sobre o caso Público. Uma jornalista foi alvo de pressões e ameaças de divulgação de informações da sua vida privada. E o caso fica-se pelos pedidos de desculpas por algo que não foi feito, pela aceitação dos pedidos de desculpas e por uma intervenção patética da Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

 

Depois veio o campeonato europeu e, mais uma vez, o futebol exerceu na perfeição o seu papel de ópio do povo. Este povo que parece que anda a dormir, anda sonâmbulo, com medo de falar, de protestar (oposição inclusive).

 

Agora temos um gajo que fez uma licenciatura em um ano e está no Governo, enquanto milhares de jovens licenciados (mestrados e doutorados) procuram um emprego. Provavelmente, estes mesmos jovens nem querem saber como Relvas tirou um curso superior e, se calhar, muitos já se esqueceram que foi também este ministro que ameaçou uma jornalista.

 

Assim, as polémicas transformam-se em episódios da vida política do país que passam como uma novela pela casa dos portugueses. Facilmente nos esquecemos dos capítulos mas sabemos que o enredo é sempre o mesmo.

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