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no souvenir

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O meu 25 de abril

Quando cheguei a Portugal, fixei logo uma data: 25 de abril. O ano apareceu depois quando estudei a Revolução dos Cravos na escola. Até então, a imagem que tinha da ditadura portuguesa era difusa. Era a minha avó a dizer-me para não baloiçar na cadeira porque senão poderia cair e ficar como Salazar. Eram as estórias que a minha avó contava das suas origens portuguesas. Não era muito mais do que isso, e já não era mau para os meus tenros e brasileiros 13 anos.

 

Estudar o 25 de abril na escola, e depois na faculdade – ele está sempre presente e até hoje em dia, sendo jornalista, estou sempre a aprender mais sobre o acontecimento – foi decorar nomes, datas, cores políticas e países. Mas foi também compreender que uma ditadura é sempre má.

 

Não recebi memórias familiares da data. Os meus avós e os meus pais não me contaram depois do jantar as suas memórias daquele dia especial em 1974, como depois reparei que acontece sempre com quem o viveu e com quem escuta as memórias.

 

Do 25 de abril guardarei sempre a imagem de uma revolução bonita, com pessoas na rua e cravos e música e fotografias a preto e branco, um cenário bem mais simples do que aquele que todos os anos vemos a ser recuperado pelos media e por historiadores. Mas é o meu 25 de abril e todos deveriam ter um.