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no souvenir

no souvenir

...

Eles resistiram

Ao sol abrasador do meio dia

Aos choros e gritos das crianças

Aos vendedores ambulantes

Às bolas perdidas

 

Eles olharam de frente o sol

Não recearam os seus raios

Não tiveram medo das ondas

Nem das rochas

Mergulharam com todo

O seu fôlego

Quase que tocavam os peixes

Nadaram até ao limite

Como se o horizonte não fosse infinito

 

Eles souberam esperar

Ler algumas páginas

Fumar um cigarro

Ou simplesmente

Sentar à beira mar

 

Eles resistiram ao dia

Esperaram pelo crepúsculo

Aquela hora mágica

Em que as sombras aumentam

As cores desvanecem, esbatem-se

Em que o areal se esvazia

Aos poucos

O silêncio chega

Interrompido pelo desenrolar das ondas

 

As primeiras estrelas ocupam os seus lugares

O horizonte fica tingido por uma linha laranja

Que vai escurecendo até ficar quase imperceptível

 

Eles resistiram

Esperaram para dar o último mergulho

Numa comunhão total

Naquela praia que afinal

Era só deles

 

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